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Os olhos que comiam carne

Sobre ” Os olhos que comiam carne” e outros contos de terror.

Ao selecionar os contos escritos por Humberto de Campos há mais de 80 anos, tomei como ponto de partida a sedução que essas histórias exerciam sobre mim desde a primeira infância. Experência vivida durante as férias de janeiro,período das tempestades amazônicas que costumavam trazer também a falta de energia, quando uma voz de avô depois do jantar criava sensações novas no coração, impressões de que o desconhecido seria, talvez, só talvez, maior do que poderíamos conhecer ou suportar, criando dúvidas, fantasias e aquecendo o afeto entre os mais novos e os mais velhos.

Passados os sustos necessários, vinha a espera pelo dia seguinte e com ele, as novas aventuras pelo desconhecido.Uma paixão que na adolescência me remeteria aos romances góticos, histórias de suspense, poemas românticos e as narrativas de mestres como Edgar Alan Poe, Emily Brontë, Bram Stocker, Jorge Luís Borges e Italo Calvino.O autor maranhense Humberto de Campos é uma das lembrançasque guardei e um perfeito representante das narrativas de terror com influência fantástica no cenário Brasileiro.

Inspirado na mitologia grega, em outros escritores europeus, ele inverte a ordem dos acontecimentos e

instaura a dúvida na memória do leitor, com uma escrita refinada e de qualidade poética.Como leitora ativa que sou atualmente do gênero das narrativas de terror, me cabe agradecer a Lourival de Oliveira Figueiredo, meu avô, que declamava poemas e narrava o estranho depois do jantar, a voz por traz das  histórias ouvidas quando meninas.

O Desejo de Pintar

O começo do papo sobre o livro em BH

Um encontro com os amigos Marcelo Xavier e Mario Vale e depois a saída da livraria na qual eles costumam se encontrar por volta das cinco de quase todas as tardes é uma das melhores coisas pra se fazer ao visitar Belo Horizonte.

O bate papo de boteco costuma dar continuidade ao encontro. Falando de livros e de autores que gostamos, o Mario confessou ser apaixonado por Baudelaire, coisa de dizer simplesmente assim: “O cara representa uma sensibilidade muito forte e iluminada em meio a tantos outros”… Para mim estava escolhido o autor para um livro que tinhamos vontade de fazer juntos.

No café em frente a Livraria da Travessa, no dia seguinte, Mario quase entrou em pânico ao me ver com um exemplar de Os pequenos poemas em prosa nas Mãos. – Coisa de bar Denyse, eu nem sei se dou conta dos trabalhos que tenho para terminar.

Com o claro apoio do Marcelo ao dizer: Deixa de ser preguiçoso cara, eu sei que podes fazer um belo trabalho com essa paixão! Minha única resposta foi: Tu queres ou não queres fazer o livro? Escolher um autor para ser recriado é uma opçao crítica e uma possibilidade fascinante de reler um texto! Nesse sentido, O desejo de pintar e outros poemas em prosa de Charles Baudelaire é um novo movimento, uma improvisação, um exercício de leitura expresso na tradução dos textos, nos desenhos e na admiração pelo poeta relatada por seu autor aos dois amigos também apaixonados por livros, em uma conversa bem mineira.